A Revolução Industrial é o grande marco para a propagação do marketing de luxo no mundo. Esse ramo do mercado segue uma lógica de produção que une o artesanal (delicado, exclusivo, único) à tecnologia de qualidade (resistência, bons materiais, qualidade).
Isso quer dizer que, marcas de luxo não seguem a produção em massa do mercado comum, mas que ditam o seu próprio ritmo de funcionamento.
O marketing de luxo evoluiu até a Segunda Guerra Mundial, e este momento histórico com todo o seu impacto social, cultural e financeiro permitiu que determinados produtos se tornassem acessíveis apenas à uma elite crescente.
No Século XX duas marcas foram pioneiras do uso deste ramo do mercado: Louis Vuitton e Chanel. Essas marcas utilizaram da publicidade para desenvolverem campanhas icônicas e anúncios em revistas, contribuindo para a criação de imagem e desejo em torno delas.
Foi em 1937 que Madame Gabrielle (Coco) Chanel estrelou a sua primeira campanha. Na foto, publicada em uma edição da Harper’s Bazaar da época, ela aparece forte e imponente, em um mundo ainda sentindo os efeitos de uma Grande Guerra e da Depressão. A campanha divulgava seu icônico vidro clássico do Chanel Nº 5.

O Chanel Nº 5 foi um dos primeiros perfumes a ser comercializado usando o nome de um designer, e sua campanha publicitária inovadora, estrelando Marilyn Monroe, ajudou a solidificar o papel da celebridade no marketing de luxo.
No ano de 1952, em uma entrevista para a Life Magazine, Marilyn sua resposta à clássica pergunta: “O que você usa para dormir?” foi: “Duas gotinhas de Chanel Nº 5”.
E foi assim que a fragrância ficou associada à mais glamorosa estrela de cinema do mundo e, como era de se esperar, a procura do mercado pelo perfume disparou. O engraçado é que Marilyn só virou uma porta-voz oficial da Chanel em 2012, quando a marca lançou uma série de vídeos contando a história do perfume. Ou seja, essa foi a propaganda gratuita de maior sucesso de todos os tempos.
A Chanel percebe o que sua conexão com as estrelas de cinema poderia fazer, ao mesmo tempo em que muitas atrizes se voluntariaram para ser o rosto da marca, inaugurando assim, a Era da Publicidade com Celebridades. Suzy Parker foi uma das pioneiras desta Era, retratada como a mulher bem-sucedida dos anos 1950, a atriz aparecia vibrante, feliz e perfeitamente em movimento. O slogan “Toda mulher viva ama Chanel N º 5” permaneceria reconhecido ao longo dos anos 1960.

Coco Chanel tornou-se uma figura icônica na própria marca, incorporando o espírito de independência e inovação. Sua própria vida e estilo pessoal serviram como uma estratégia de marketing eficaz para a marca. Ela adotou uma estratégia de preço alto desde o início, posicionando seus produtos como símbolos de exclusividade e qualidade superior.
Em resumo, a Chanel é pioneira no marketing de luxo por sua capacidade de criar produtos atemporais, sua visão inovadora de publicidade, seu uso eficaz de celebridades e seu compromisso com a exclusividade e a sofisticação. A marca Chanel permanece uma referência no mundo da moda de luxo, mantendo seu status de ícone da elegância e do bom gosto.