Sempre digo que o Luxo de hoje é muito mais sobre experiência do que sobre o produto em si. E não falo isso apenas por acompanhar o mercado de perto, mas por viver e entender essa transformação em profundidade. Se olharmos para o passado, o Luxo era definido pelo que era raro, caro e, muitas vezes, inacessível. Hoje, o conceito mudou. As novas gerações, como a geração Z e a Alpha, não estão interessadas apenas em possuir coisas, elas querem vivenciar momentos. E isso tem um impacto direto nas marcas que, cada vez mais, têm entendido que para se manterem relevantes, precisam criar experiências que toquem seus consumidores de maneira única.
Os números não mentem: o mercado de Luxo movimenta cerca de 1,5 trilhão de euros anualmente, segundo dados da Bain & Company e da Euromonitor International. Só a França é responsável por cerca de 30% desse valor global. Porém, o que mais me chama atenção não é o montante financeiro, mas como as marcas de Luxo estão reconfigurando suas estratégias para oferecer algo além do material. Um exemplo claro disso é o patrocínio da LVMH aos Jogos Olímpicos de 2024. Eles conseguiram transformar um evento esportivo em uma experiência de Luxo acessível a todos. Isso é o Luxo moderno – ele vai além do produto caro e exclusivo; ele está nas experiências e nos sentimentos que gera.
Lembram quando a Prada e a Fendi abriram cafés em grandes capitais? Não foi apenas sobre servir um cappuccino, foi sobre criar um novo ponto de contato com a marca, onde o cliente pode respirar e sentir o DNA da grife sem necessariamente comprar uma bolsa de mil euros. As marcas perceberam que o Luxo de hoje é sobre se conectar de maneiras autênticas e memoráveis.
E não se trata apenas de café ou de eventos de grande escala. Olhe para a Fondation Louis Vuitton, em Paris. A ideia de oferecer acesso gratuito em alguns momentos, transformando um espaço cultural em uma experiência de marca que qualquer um pode vivenciar, é uma das estratégias mais brilhantes de democratização do Luxo que já vi. Estamos falando de uma vivência que ultrapassa o valor monetário e se transforma em algo mais profundo, em uma conexão emocional com a marca.
Se o Luxo de antes era sobre possuir, o de hoje é sobre ser. Ser parte de algo maior, ser envolvido por histórias, por momentos inesquecíveis. Isso é especialmente evidente quando olhamos para a relação das novas gerações com o mercado. Elas estão focadas na qualidade, na longevidade, em produtos que não só duram, mas que contam histórias e oferecem algo além da superfície. E é aqui que as experiências ganham força.
As marcas que entendem essa mudança estão à frente. Estamos vendo um movimento onde tradição e inovação caminham juntas, e a experiência é o novo ouro. A geração Z e a Alpha, em particular, são conhecidas por buscar o” joie de vivre”, a alegria de viver, e não estão interessadas em acumular coisas. Elas querem trabalhar para viver, e não o contrário. Para elas, viver o momento é a essência do Luxo.
Pense nos grandes eventos das marcas de Luxo nos últimos anos: não são mais desfiles de moda tradicionais, mas sim almoços íntimos, experiências exclusivas e, claro, sempre acompanhados de uma narrativa forte que conecta o passado e o futuro da marca. Marcas como Hermès e Gucci entenderam que a experiência é o coração do desejo moderno. E não é apenas uma tendência passageira; é uma transformação cultural.
E a tendência só se fortalece. Quando converso com pessoas do mercado ou até mesmo com clientes, o que ouço é sempre a mesma coisa: querem ser surpreendidos, mas de forma autêntica, querem viver algo que os faça sentir parte de um mundo especial. O Luxo, então, se torna quase uma linguagem, uma forma de expressão através de experiências que impactam.
Essa mudança no conceito de Luxo não é apenas uma resposta ao que o público espera, mas uma reinvenção necessária para um mercado que quer se manter relevante. E a verdade é que, quanto mais as marcas investirem em experiências, mais serão lembradas. Afinal, o produto pode até se desgastar, mas a memória de uma experiência incrível dura para sempre. É nisso que acredito, e é isso que vejo cada vez mais no mercado: o Luxo é, e continuará sendo, experiência.
Uma dica BFers? Viva a experiência!