MAYFAIR E O LUXO

Por bfbranding | 11/10/2024

É óbvio que o meu olhar está sempre lá… Como uma apaixonada na Inglaterra, especialmente em Londres, preciso falar sobre o momento atual do bairro lindíssimo Mayfair, o bairro mais caro no tabuleiro do Monopoly! rs

No jogo, a famosa propriedade roxa vale £400, e, se o dono construir um hotel ali, pode cobrar £1.500 de quem cair nesse espaço. Na vida real, a área de Londres limitada pelas ruas Regent, Oxford, Park Lane e Piccadilly mantém o mesmo prestígio e valor.

Por séculos, um endereço em Mayfair simbolizava riqueza e status social elevado. O escritor, filósofo e clérigo britânico do século 18, Sydney Smith, uma vez descreveu Mayfair como um local que reunia mais “inteligência, habilidade humana, riqueza e beleza do que o mundo jamais viu concentrado em um espaço tão pequeno.” Atualmente, algumas das propriedades mais elegantes e caras de Londres estão localizadas em Mayfair.

 

Nos últimos anos, o ritmo de regeneração na parte sul da área atraiu bilhões de libras em novos desenvolvimentos e imóveis reformados. Um levantamento do jornal The National mostra que a maioria desses mega-projetos está concentrada no canto inferior da área, abaixo da South Street. Segundo Peter Wetherell, fundador da Wetherell, uma agência de imóveis de alto luxo em Mayfair, “toda a parte sul de Mayfair está passando por uma enorme transformação, com novos edifícios residenciais, melhorias em espaços públicos e antigas mansões comerciais sendo convertidas novamente em casas ou hotéis de luxo.

Mas, nem sempre foi assim… Mayfair tem uma história, vibrante por sinal.

 

História de Mayfair

Como o nome sugere, a área abrigava uma feira popular realizada no início de maio, cuja primeira ocorrência registrada foi em 1560, mas acredita-se que ela tenha existido desde o século 13, quando a região ainda era composta por campos verdes.

Com o passar dos séculos, a feira cresceu e se tornou caótica, com atrações que incluíam animais exóticos, boxeadores, malabaristas, dançarinos e engolidores de fogo. Entretanto, em 1702, um policial foi morto durante uma briga, e, em 1708, uma queixa formal foi enviada à Rainha Ana sobre o comportamento desordeiro das pessoas que frequentavam a feira.

Em 1764, a feira foi encerrada, em parte devido à oposição do Conde de Coventry, que tinha uma casa próxima, e também porque Londres estava se expandindo para o oeste, transformando campos e pastagens em ruas e casas. Assim, a área associada à feira de maio se tornou o bairro sofisticado que conhecemos hoje como Mayfair. Apesar disso, até o início do século 20, algumas partes da região ainda mantinham um caráter vibrante. No sul de Mayfair, entre Piccadilly e Brook Street, o mercado de Shepherd Market foi construído, com barracas de açougueiros no térreo e um teatro no andar de cima. O local ainda conserva parte dessa personalidade até hoje.

Com a Primeira Guerra Mundial, muitas mansões de Mayfair não conseguiram manter sua grandeza devido à escassez de mão de obra e ao aumento dos salários. Muitas dessas residências foram transformadas em embaixadas, hotéis ou escritórios comerciais, especialmente durante a Segunda Guerra Mundial, quando empresas fugiram do centro de Londres para evitar os bombardeios alemães.

Nos anos 1990, o sul de Mayfair era uma mistura curiosa de escritórios de advocacia, fundos de hedge e residências de luxo, com áreas mais “coloridas” ao redor de Shepherd Market. “Mas tinha muito caráter e charme”, comenta Charles Lloyd, da Beauchamp Estates. Hoje, a cor predominante em Mayfair é a do dinheiro, pois milhões de libras foram investidos em projetos de alto padrão.

O maior e mais luxuoso projeto em andamento em South Mayfair é o 1 Mayfair, na South Audley Street. Descrito como o “desenvolvimento mais emocionante em Mayfair nos últimos 300 anos”, o edifício de 300.000 pés quadrados, criado pelo bilionário John Caudwell, é uma coleção única de 29 residências com interiores inspirados em casas senhoriais. Com preços a partir de £35 milhões, o empreendimento inclui comodidades que rivalizam com os hotéis mais luxuosos do mundo.

A regeneração da área se espalhou para os arredores, elevando os valores das propriedades. Shepherd Market, que antes era uma área decadente, agora atrai boutiques da moda e cafés. Um dos lugares mais incríveis que já conheci!

No leste, com projetos como o 60 Curzon, onde os apartamentos começam em £3 milhões, e chegou à própria Piccadilly, a icônica avenida de Londres que conecta o Piccadilly Circus ao Hyde Park Corner, abrigando o hotel Ritz e a luxuosa loja Fortnum and Mason.

É na Piccadilly que os magnatas do setor imobiliário, Simon e David Reuben, desenvolveram a Cambridge House, um antigo clube militar, que está programado para abrir no final do próximo ano como um hotel de 102 quartos e um clube privado.

A participação dos Irmãos Reuben no sul de Mayfair vai além disso. Eles estão investindo £1 bilhão em projetos de regeneração em uma área de 0,5 hectares conhecida como Piccadilly Estate. Isso inclui o desenvolvimento residencial em One Carrington, além de uma parte significativa do Shepherd Market, incluindo o clube privado 5 Hertford Street, que supostamente é frequentado por celebridades como Harry Styles, Mick Jagger e Leonardo DiCaprio. “Se você observar o desenvolvimento de One Carrington – que era o antigo estacionamento da NCP – verá que está transformando essa esquina de Mayfair”, comentou Charles Lloyd.

E, segundo Hugo Villas Boas – especialista em negócios imobiliários (e meu marido rs), os valores das propriedades em Mayfair continuam a subir, com apartamentos sendo vendidos por milhões de libras. No mercado de luxo, as vendas dobraram no último ano, com compradores dos EUA, Índia e Oriente Médio, especialmente da Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes. A demanda por propriedades ultra-luxuosas supera a oferta, o que tem impulsionado os preços. Segundo Wetherell, o valor por metro quadrado em Mayfair pode ultrapassar £12.000 nos próximos anos, tornando-a a área imobiliária mais valiosa do mundo.

Com novas regulamentações restringindo o tamanho das novas construções, a escassez de grandes residências de luxo deve continuar, o que reforça a percepção de Mayfair como um investimento de longo prazo e um símbolo de status global.

E aí BFers, quem já quer passear em Mayfair e encontrar Leonardo DiCaprio?